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O Suicídio e a família

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Como enfrentar o suicídio junto de uma pessoa que relata que não tem mais prazer em viver e que sente vontade de tirar sua própria vida? O que podemos fazer nesse momento? Como agir?

Muitas vezes, esses e outros questionamentos, rodeiam pessoas que convivem com indivíduos que desejam ceifar a própria vida diante de um sofrimento indescritível, e da perda total da esperança e de uma perspectiva de mudança e melhora.
Qualquer um de nós, está sujeito a presenciar esse tipo de situação, e é por isso mesmo, que, devemos nos atentar, para podermos agir da forma mais adequada possível, sendo essa tomada de atitude mais rápida e pontual ou mais prolongada e abrangente. É importante, ficar sensível a cada detalhe e no que pode ser feito naquele momento, por mais complexa que pareça a situação.
O que se pode fazer, imediatamente, ao momento em que se encontra alguém na tentativa de executar o ato suicida?
Impedir que a pessoa cometa o suicídio, afastando-a de qualquer objeto que possa feri-la, ou que ela possa utilizar que seja letal. Mostrar respeito e apoio para a pessoa é fundamental, ouça com atenção, olhe em seus olhos, demonstre compaixão. E, assim que possível, chame ajuda especializada.
O que fazer após a tentativa de suicídio, e como auxiliar a pessoa que tentou o ato em si?
Obviamente que, quando vivemos algo como essas circunstâncias, paramos para pensar no valor da vida, da nossa vida e da vida do outro, percebemo-nos frágeis e até mesmo pequenos. Mas também percebemos um emaranhado de sentimentos e reações como raiva, medo, preocupação, frustração, esperança, julgamentos, receios, desânimo, culpa, proteção demais, insegurança, amor, carinho, entre outros. É natural que amigos e familiares de pessoas que apresentam tentativas de suicídio tenham esses sentimentos e reações apresentadas de forma misturada e contraditória, mas é de suma importância compreendermos que o nosso ente querido também apresenta o mesmo emaranhado de sentimentos. O melhor que podemos fazer por essa pessoa é ficarmos atentos a todos os sinais que ela demonstra, principalmente de tristeza, desesperança, apatia e desespero; caso seja necessário e recomendado por um especialista, elaborar um plano de segurança, a fim de retirar objetos e de impedir a criação de cenários que induzam a ideação
suicida, mas com muito cuidado para que a pessoa não se sinta julgada e compreendida como uma ameaça; diminuir os fatores que geram o desconforto, e principalmente, demostrar maior apoio, carinho e respeito por esse ente querido. Ressaltamos, que a melhor maneira de auxiliar essas pessoas é procurando a orientação de um profissional especializado. Com ele, familiares e amigos terão condições de compreender melhor o que houve, pelo o que estão passando e quais as melhores formas de agir diante da situação.
Como é compreendida a saúde emocional do familiar e/ou amigo próximo a pessoas que tentam ou cometem o ato do suicídio?
O desgaste emocional para quem acompanha um membro da família ou um amigo nessa situação é constante, afinal, o indivíduo fica exposto a uma tensão infindável, envolto em tentativas de tomadas de decisões que gerem atitudes adequadas a serem tomadas para evitar que novas tentativas voltem a acontecer, assim como, para compreender o por quê que aquela pessoa cometeu tal ato de desespero. As mudanças de rotina, seja para estar mais próximo ao outro, ou mais atento e até mesmo para cuidar desse ente querido, também trazem consequências para a saúde mental das pessoas que acompanham a pessoa que cometeu a tentativa de suicídio. De forma geral, toda a rede social, seja familiar, profissional e de amigos, sofrem com a situação vivida pelo seu ente querido, e de diversas maneiras, em maior ou menor grau, acabam por também precisarem de ajuda para passar por esse momento.
Mas o que eu posso fazer diante desses fatos todos?
Ajudar o outro exige um pouco de doação, doar um pouco de você. Nesse sentindo, é importante buscar auxilio para si também, como ter alguém para conversar, buscar pessoas para contar, ajuda de pessoas a sua volta, buscar também que a família se una e busque desenvolver formas de compreender um ao outro nesse momento tão difícil e doloroso.
A ajuda de pessoas capacitadas para acolhe-los e orienta-los, como profissionais que trabalham com essas situações como médicos, psiquiatras, enfermeiros e psicólogos, entre outros, é essencial no enfrentamento desse momento e também nos momentos futuros, uma vez que eles poderão trabalhar com você a compreensão de como ajudar esse ente querido que também está em um sofrimento constante. Assim, quando pensamos em nós parece que estamos sendo egoístas, pois, quem precisa de auxílio é o outro, o outro que está em maior sofrimento, mas será mesmo que somente o outro precisa? Será, que se eu me ajudar, eu posso ajudar o outro? A resposta para essa pergunta é, obviamente que sim. Afinal, o cuidado é essencial na vida do ser humano. Por isso, é de suma importância que pessoas que sejam próximas ao indivíduo que apresentou a tentativa ou até mesmo, que cometeu o ato de suicídio, que busque por ajuda especializada e que encontre apoio social onde for possível. Cuidando de si, será mais eficaz cuidar do próximo.
Além, dessas maneiras vistas acima, existem algumas ações que podem ser construídas com o outro com muita cautela e com concisão!
Não confrontar e querer mudar a pessoa e sim buscar ouvi-la com atenção sem julgamentos, e encorajá-la para a vida, criando uma zona de confiança da qual a pessoa possa falar sobre seus sentimentos e o que a leva a sentir a necessidade de ceifar a própria vida. Estabelecer esse vínculo com o ente querido é essencial.
No entanto, perceba que, cuidando de você, conhecendo a si próprio, é possível se doar a outro com mais espaço e liberdade, sem pré-julgamentos. Pois, o autoconhecimento lhe permite compreender sentimentos, situações das
quais, muitas vezes, não nos damos conta em nossos dia-a-dia, em nossos afazeres, principalmente quando nos deparamos com uma situação completamente tensa e complexa como a tentativa de suicídio. Cuidar de si é estar aberto a compreender melhor a dor do outro. Cada um tem a sua forma de sentir a mesma coisa, uns sentem com maior intensidade, outros com
menor, mas todos sentem. O que nos torna diferente é o que move o mundo, não diminua a sua dor e não menospreze a dor do outro.
É preciso saber viver, para poder encontrar caminhos e novas possibilidades diante dos enfrentamentos que a vida lhe propõe. Olhar a si e olhar o outro é um constante artefato a ser moldado com toda delicadeza necessária, assim como se molda uma escultura de argila.
Busque um acompanhamento profissional para conseguir ressignificar e/ou restabelecer seus sentidos de vida. Essa é uma ferramenta fundamental que você conseguirá obter para lhe permitir uma nova percepção desse momento da sua vida.

Amanda Ribeiro
Amanda Ribeiro
Criação de conteúdos

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