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O Câncer e as emoções

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A doença como possibilidade de ressignificação da própria vida

Neste mês que passou foi realizada a campanha de prevenção ao câncer de mama, o Outubro Rosa e, nesse mês, inicia-se o Novembro Azul com o intuito de conscientizar a população da importância da prevenção ao câncer de próstata.
Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), o câncer é responsável por uma em cada seis mortes no mundo. Anualmente, mais de 14 milhões de pessoas desenvolvem câncer e a estimativa é que em 2030 esses números subam para 21 milhões. As estratégias para melhorar este cenário incluem o diagnóstico precoce da doença e programas de prevenção. Fala-se dessas medidas profiláticas, pois é consenso hoje em dia que o surgimento de qualquer doença pode ter sua influência multifatorial. O que isso significa? Quer dizer que toda enfermidade é psicossomática, ou seja, manifesta-se no corpo e na mente. Não há separação entre eles.
Para a psicossomática (ciência que integra diferentes disciplinas para entender o processo saúde-doença) o individuo é um ser biopsicossocial e o surgimento de uma doença recebe influência dessas áreas. Algumas com mais participação do que outras, porém sempre pensando no individuo em sua totalidade. Por isso é tão importante que no tratamento de uma doença como o câncer, por exemplo, o individuo seja acompanhado por profissionais de diferentes áreas (médicos, psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais, entre outros) e acolhido por familiares, amigos e comunidade. Não só o individuo adoece, mas todos os envolvidos sofrem certo impacto.
Os estudos sobre a influência das emoções em doenças, como por exemplo, o câncer vem crescendo já tem alguns anos. Segundo o Dr. Rudiger Dahlke, autor do Best-seller A Doença Como Caminho e A Doença Como Linguagem da Alma, as doenças de um modo geral são manifestações de ideias que “afundaram” no corpo sendo um aspecto do indivíduo que ainda não foi conhecido. Para Dahlke, as doenças são como um símbolo, uma espécie de mensagem do inconsciente, dizendo para aquela pessoa o que precisa ser conhecido e reequilibrado em sua vida. Vale lembrar que, o inconsciente foi um termo criado pelo renomado psicanalista Sigmund Freud que, significa, grosso modo, aspectos do indivíduo que são desconhecidos para si mesmo.
Dahlke ainda afirma ainda que todo sintoma é a expressão de uma “falta”
Vamos considerar aqui, essa “falta” como justamente estes pontos que ainda não nos atentamos sobre nós mesmos e não como algo que está em algum lugar externo. Então o corpo “grita” o que precisa ser visto. É isso que significa dizer que as doenças são psicossomáticas: pois todas manifestam-se no corpo e na mente. Como já foi dito não podemos separá-los. Portanto, após essas considerações, não faz sentido tratar somente uma parte doente de um individuo. O mais correto (e humano) seria tratar a pessoa como um ser total e inteiro. O paciente não é o seu câncer, ele vai muito além disso, têm partes saudáveis, desejos, sonhos…
Para entender melhor o que em determinado individuo não vai bem, além do óbvio, como avaliar possíveis maus hábitos e levar em consideração predisposição genética, no que diz respeito às emoções, seria interessante fazer-lhe alguns questionamentos de início: quando o sintoma apareceu? De que forma? O que ele te impede de fazer? O que ele te obriga a fazer? Respondendo a perguntas como essas, por exemplo, pode-se chegar a uma avaliação mais profunda sobre essa pessoa.
A maneira e a época em que uma pessoa adoece pode nos mostrar o que não vai bem.
É realmente necessário conhecer sua história de vida para entender o sentido do que vive hoje. O ser humano é complexo para engessar um diagnóstico apressado do tipo: câncer na próstata é devido a essa emoção ou aquela. Não somos um dicionário. Cada historia é única, portanto, deve-se olhar para a doença e seu significado apenas como um guia para compreender essa particularidade que é esse ser. Somente conhecendo os caminhos que uma pessoa trilhou é que é possível chegar a uma interpretação mais justa. Um câncer de mama nunca será vivido exatamente igual de uma mulher para outra, do ponto de vista da análise psicossomática. Pois, cada uma carrega experiências e historias singulares, assim, é vivido por cada uma de maneira totalmente única.
Após compreender como as emoções dessa pessoa influenciaram a manifestação do câncer, provavelmente, chegaríamos à pergunta: o que faço a partir disso? Ora, se estamos falando de um aspecto (emocional) que estava até então velado para essa pessoa e agora já o conhece, o próximo passo seria descobrir como incorporar esse aspecto excluído a própria vida. Movimento este que também é muito particular e cabe à pessoa escolher como vivenciá-lo agora. Trata-se de um momento de transformação profunda, com grande potencial de mudança. Como posso transformar isso a favor da humanidade? Como poderia contribuir para que outros iguais a mim possam ter uma qualidade de vida melhor? Doença (apesar do grande sofrimento) não é punição, então, tome cuidado com os sentimentos de culpa e mágoa. O momento seria de buscar um novo sentido para a vida, é uma nova etapa que esta batendo a porta dessa pessoa.
Essa transformação não se restringe somente a pessoa em tratamento. 
Devemos pensar de forma sistêmica, na família como um organismo vivo, um corpo só. Como ampliar essa unidade de cuidado? O que mais nessa rede de apoio pode transforma-se também? Especialmente o principal cuidador de um doente de câncer. Que papel este pode ter nesta nova vida? O momento é de ressiginificar o sofrimento e a vida, do doente e de todos aqueles envolvidos nesta história. Relacionando esta experiência com novas atitudes, trazendo as mensagens de sabedoria interior que o auxiliam a passar pelo momento existencial. Gostaria de fechar com uma breve frase de Viktor Frankl, psicólogo, psiquiatra, filósofo e sobrevivente dos campos de concentração na Alemanha: “desespero é sofrimento sem sentido”. Ele nos convida a enfrentar as dificuldades com um pouco mais de otimismo e coragem, mesmo nas situações mais adversas.

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