Câncer Infantil: Não é só a criança que adoece!

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Ainda que hoje a cura do câncer infanto-juvenil chegue até a 70% dos casos quando há o diagnóstico precoce, ele continua sendo a doença que mais mata crianças e adolescentes e seu impacto chega não só no paciente, como também em toda sua família e pessoas próximas. E é sobre esse impacto que nem sempre é olhado com o devido cuidado que iremos falar hoje.



Até mesmo para quem não pertence a um lar que vivencia a situação acaba sentindo um reflexo do diagnóstico de câncer. Afinal, quem nunca se
comoveu ao se deparar com uma história desse tipo na televisão ou nas redes sociais? Muito disto se dá pois em nosso imaginário o câncer está relacionado
ao sofrimento e, principalmente, a morte.

A possibilidade eminente da morte assusta a todos nós. Não paramos para pensar que a morte é a única certeza em nossas vidas. O câncer infantil
nos mobiliza a olhar mais seriamente para a ilusão que temos de que a morte só se dá na velhice e de forma quase sempre natural. Quando chega uma
notícia desse tipo, concluímos que de fato pode acontecer com qualquer um de nós: amigos, vizinhos, família e muitas vezes, nós mesmos. E isso nos faz
questionar se a vida que vivemos, tem sido satisfatória.

Agora, se o impacto do câncer infantil já mobiliza tanto a gente enquanto comunidade, podemos reconhecer que o peso para familiares é ainda pior.
Todo o sofrido tratamento é um longo processo que é acompanhado pelo lar. Você já parou para pensar na diversidade de questões difíceis surgem para a
família?
Vamos ver alguns pontos:
Sentimento de Impotência
Quem vivencia uma situação angustiante dessas sofre não só com toda essa reflexão acerca da morte tida como prematura, mas também com um
sentimento de impotência. Quando saudáveis, os pais têm o desejo de sempre tornar o mundo de seus filhos melhor, sempre tentando fazer de tudo para
auxiliar a sua caminhada. No momento em que surge algo que não podem controlar, como uma doença assim, os pais podem enfrentar o sentimento de não poder protege-los desse inimigo, como tentam e muitas vezes conseguem
proteger de tantos outros. É aí que a impotência toma conta.

O querer manter as aparências
Em meio a toda essa turbulência, ainda é muito comum que a família entenda ser necessário manter uma postura firme, sem demonstrar fraqueza, para que a criança se sinta amparada no seu sofrimento, tendo em quem confiar. São os cuidadores imediatos que se sentem responsáveis por manter a chama da esperança acesa na criança, mesmo que em vários momentos sintam a sua própria apagar. Falta um espaço para poder demonstrar suas próprias dores.

Mudanças bruscas na rotina

Pelo caráter intensivo do tratamento, não é incomum que um dos adultos responsáveis tenha que deixar de lado sua carreira ou outros afazeres para
poder dar conta dos cuidados necessários. Assim como a suspensão do ambiente de trabalho, também são diversos os relatos de um abalo ou mesmo
rompimento no relacionamento entre marido e mulher após o diagnóstico de um filho com câncer.

Sendo assim, o que vemos é que a pessoa responsável pelos cuidados daquela que está com câncer infantil, tem seu mundo cada vez mais limitado
ao mundo da doença. Todos os papéis que mantinha parecem não mais existir a não ser o papel de cuidado (normalmente exercido pela mãe da criança,
embora receba amparo de outros familiares). É como se nada mais existisse para além da patologia. É aí que os sentimentos de angústia, desesperança,
temor e solidão podem tomar figura. E como lidar com tudo isso?

Precisamos lembrar que o câncer é uma doença física mas que também adoece também todo o lar. Dessa forma, a família também necessita de
cuidados para conseguir lidar da melhor forma possível com essa difícil vivência. Se torna de extrema necessidade um espaço para que consiga
extravasar seus sentimentos, aquilo que acreditam ser suas fraquezas e dessa maneira, recuperar a sua força.

Esse espaço é justamente o que a psicoterapia oferece. É através de um 
processo com um profissional capacitado que os familiares poderão trabalhar suas dores para que consigam dar um apoio melhor uns aos outros e também expandir seu mundo para além da doença, estabelecendo um reencontro consigo mesmo.
Amanda Mariano
Amanda Mariano
Psicóloga clínica CRP 06/ 143237, atendimento clínico de crianças, adolescentes e adultos pela abordagem Fenomenológica-Existencial

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